O Autor

Meu nome é Marcos Antônio da Cunha Fernandes, nasci na Região Nordeste, no Estado da Paraíba, na cidade de João Pessoa, onde resido atualmente depois de ter morado nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Recife. Aprendi muito com as diferenças culturais existentes em cada uma delas, essas mudanças me ajudaram a compreender melhor a mim mesmo. Eduardo, Caroline, Cristiane e Frederico são os quatro filhos que a vida me deu, frutos do meu primeiro casamento. Eduardo me presenteou com dois netos, o Leonardo e o Pedro Eduardo. Cristiane também me presenteou com dois netos, a Beatriz e o Eliott.

Escrever é um prazer imenso para mim, inunda minha alma de uma alegria que não encontro palavras para descrever ou dar uma simples idéia do significado deste ato criativo para a minha alma. Quando eu era jovem, na casa dos dezoito anos de idade, há muitos e muitos anos atrás, bota tempo nisso, morava na cidade do Rio de Janeiro. Era mais um “Paraíba” na cidade grande, linda e maravilhosa, na época sem a violência e os assaltos dos dias atuais. Na referida época eu vivia a escrever, sonhava ser poeta, não fazia nada, era um peso morto na economia da vida. Devo esclarecer uma coisa, nos anos anteriores à época referida, trabalhei duro nos negócios da família. A minha querida mãe sempre me alertava, nesta fase de não fazer nada, exceto escrever, para a necessidade de ganhar o pão de cada dia, eu não conseguiria me sustentar escrevendo. Antes de ser capaz de fazer isso eu necessitaria de inúmeros anos de atividade, ter me projetado no mundo da literatura. Portanto, era necessário ter uma profissão e desenvolver uma atividade que me assegurasse a sobrevivência, que eu escrevesse nos domingos e feriados. Como é natural em todo ser humano, ela também dava as suas pisadas de bola, mas fui obrigado a reconhecer que ela estava certa.

Na época dos primeiros ensaios no campo da literatura eu morava na cidade do Rio de Janeiro, na Rua Voluntária da Pátria, no bairro de Botafogo, nas proximidades do Largo de Humaitá. Vivia a escrever, enchi de poesias uma pasta de papelão duro de aproximadamente uns cinco centímetros de altura. Nunca contei o número de poesias escritas nesta fase da vida, no arrebatamento da juventude.

A pouco e pouco o antigo sonho juvenil de ser escritor e poeta foi desaparecendo, as lutas diárias pela sobrevivência eram mais propícias ao surgimento do homem técnico, deste modo o poeta cedeu lugar ao técnico, para atendimento das necessidades físicas do viver. Cheguei mesmo a pensar que o escritor tinha morrido, tinha sido uma das muitas ilusões da juventude, mas os sonhos apenas tinham sido arquivados em regiões recônditas do meu ser. Na década de sessenta, não me lembro exatamente o ano, atendendo ao convite de um amigo para racharmos as despesas de aluguel e “sobrar menos dias no final do dinheiro”, mudei-me para o bairro do Flamengo, deixando no apartamento da Rua Voluntários da Pátria, pertencente à mãe de uma tia minha, a pasta com todas as poesias escritas naquela época. Quando foi limpar o apartamento, após a minha saída, a minha tia encontrou a pasta em um armário, ela me telefonou e perguntou como eu queria que ela fizesse para colocar a pasta em minhas mãos. Eu informei à minha tia não ter mais interesse na pasta, ela fizesse o favor de jogar no lixo todas as poesias. Um triste fim para os registros dos sonhos e dos amores da juventude, ali confessados abertamente na forma de versos.

A vida foi passando, o poeta sepultado, trabalho profissional, casamento, filhos, separação, nova união, o coração ficou combalido pelas lutas profissionais e sentimentais, pifou. Vieram as pontes de safena e, no dia seguinte à operação, um coágulo de sangue subiu para o cérebro e provocou a falta de irrigação do lado esquerdo, o lado racional, paralisando os movimentos do lado direito do corpo, provocando a cegueira do olho esquerdo e a perda parcial da visão do olho direito. Nos dias atuais ainda não recuperei, na sua totalidade, os movimentos e a visão, que resultaram na aposentadoria no ano de 2001, devido às sequelas citadas. De Setembro de 2000 a Dezembro de 2002, concentrei-me na recuperação da saúde e dos movimentos, e a aprender a fazer todas as coisas, inclusive escrever, com a mão esquerda. Novas separações e novas uniões aconteceram, terapias individuais e de grupo, um período tumultuado, até a aceitação das limitações físicas decorrentes do AVC. Foi o fim de uma fase e o início de outra, talvez o mais certo fosse dizer: a retomada do sonho da juventude.

No final de 2002 comprei um microcomputador e retornei à atividade de escrever. Isto me deu na época e ainda me dá hoje um imenso prazer. Ao longo dos últimos anos tenho escrito várias coisas, somente hoje tenho a ousadia de reunir neste “site” o que tenho produzido nos últimos anos. É a realização de um sonho acalentado nos tempos da juventude, concretizado na melhor idade. O primeiro trabalho escrito nesta fase recebeu o título de Espera I, pode ser visto na seção de Poesias. São poucos os seres humanos que gostam de poesia, por esta razão eu não sei dizer qual a utilidade desta seção do “site” para a maioria das pessoas, talvez nenhuma. Para mim é um pedaço da minha alma e do meu coração, o “meu íntimo Ser”, que deixo para os meus filhos e netos, irmãs e sobrinhos, ex-mulheres e amigos, na esperança de que pelo menos uma poesia faça soar as cordas mais sensíveis dos seus corações.