Enganador

Era uma vez um menino que mora em uma rua onde existe um número grande de crianças. Ele brinca com todas as crianças da rua e, com o passar do tempo, atrai um número maior de meninas e meninos de outros locais para brincar na rua com ele. A garotada se encanta com as brincadeiras propostas pelo menino e as mães observam o grupo, cada dia mais numeroso de crianças com muito gosto, acompanham as brincadeiras das crianças e a liderança que aquele menino exerce sobre os demais, levando todos a brincar juntos e sem desavenças entre as crianças.

Com o passar do tempo as mães percebem que alguma coisa se altera, as crianças já não sentem prazer em brincar com o grupo e passam a se queixar do menino, várias brigas acontecem entre as crianças, o que leva as mães a observar o grupo com atenção redobrada e a acompanhar de perto seus filhos, o que também é feito pela polícia, em decorrência das queixas de furto que eram registradas nos locais onde as crianças brincam.

Ao observar que a polícia investiga a possibilidade de as brincadeiras serem utilizadas para encobrir os furtos praticados na vizinhança, muitas mães afastam seus filhos do grupo, que ficou reduzido a poucas crianças, à medida que a polícia investiga suas ações. Muitas crianças que se afastam do grupo formam outros grupos para brincar.

As investigações da polícia levam para prisão alguns meninos, que confessam ter praticados os roubos sob o comando do menino. A confissão das crianças mostra para a polícia a existência de uma quadrilha, chefiada pelo menino, que é levado, com o seu bando, para uma casa de correção de crianças.

Com a prisão das crianças que são responsáveis pelos furtos, um outro grupo de delinquentes ocupa a rua e se organiza para assaltar as casas. A polícia vigia este novo grupo para evitar que as casas dos cidadãos sejam saqueadas.

Marcos Antônio da Cunha Fernandes

www.marcosfernandes.org

João Pessoa, maio de 2016.

Votar para incluir esta publicação no Livro de Contos