A Formiga e o Elefante

O mestre e o discípulo estão sentados em um banco de uma praça, observam um grupo de pessoas. Uma delas conta uma piada.
 
“Uma formiga deseja atravessar um rio, mas como não sabe nadar e é muito pequenina, pede ajuda a um elefante.
− Seu elefante, o senhor pode me ajudar a chegar lá na outra margem do rio?
− Tudo bem, suba no meu lombo que eu levo você num instante.
− Muito obrigado, o senhor foi muito gentil, diz a formiga ao descer do elefante na outra margem do rio.
O elefante replica:
– Nada de muito obrigado, pode ir abaixando a calcinha.”
 
Após as risadas do grupo, o mestre diz ao discípulo que existem duas maneiras de olhar o que tinham escutado: apenas como uma piada ou como um ensinamento profundo. O discípulo diz ao mestre que não entende como poderia tirar um ensinamento desta anedota que julga fútil. Depois de olhar o discípulo por alguns instantes, o mestre fala sobre o ensinamento contido na anedota.
 
“A formiga não consegue atravessar o rio, tem de reconhecer sua limitação e pedir ajuda ao elefante para atingir a outra margem. Apesar de lhe custar pouco esforço o ato de atravessar a formiga, o elefante cobra dela algo impossível, apenas com o objetivo de mostrar à formiga que ela lhe deve algo.”
 
O discípulo olha para o mestre com admiração, enquanto ele se afasta e o deixa sozinho, para que possa meditar sobre a lição recebida.
 
Marcos Antônio da Cunha Fernandes
www.marcosfernandes.org
João Pessoa, 17 de Outubro de 2013.